O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um dos instrumentos de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial.
O que se procura identificar através do INRC são as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais que são considerados os mais importantes para uma comunidade, que articulam sentidos de pertencimento e de identificação justamente porque dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. Elas são definidas pelos sentidos e significados que o próprio grupo, que compartilha uma história coletiva e um modo de viver, atribui a determinadas práticas sociais, constituindo-as como referenciais para sua cultura. Essas referências culturais, no INRC, são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
A realização do inventário compreende processos de produção de conhecimentos e diagnósticos; de elaboração de registros audiovisuais; de reunião e sistematização de acervos e documentação preexistentes; e de mobilização social, tendo como objetivo, além da documentação dos bens culturais, também a geração de subsídios para a gestão de políticas públicas. Todas as etapas e processos do inventário devem contar com o envolvimento e anuência das comunidades, que participam ativamente desde a identificação do seu patrimônio cultural até a validação dos dados de pesquisa e a elaboração de indicativos para outras ações de salvaguarda.
O INRC é realizado em três etapas, com graus diferentes de aprofundamento. A primeira, denominada Levantamento Preliminar, tem caráter amplo e a finalidade de realizar um primeiro mapeamento dos bens culturais, de identificar e mobilizar atores, de analisar e sistematizar o que já se sabe sobre o território e as comunidades que participam do inventário. A segunda, chamada de Identificação, tem como objetivo aprofundar o conhecimento e a documentação dos bens culturais e sempre envolve pesquisa de campo na perspectiva etnográfica, assim como a geração de registros audiovisuais. A terceira, Documentação, se destina à sistematização, qualificação e tratamento dos dados e materiais produzidos, e à divulgação dos resultados.
O Inventário Nacional de Referências Culturais da Linguagem dos Sinos em Minas Gerais, realizado pela Superintendência Estadual do Iphan foi iniciado no ano de 2002 e concluído em 2008, passando por três períodos diferentes de desenvolvimento e escopo.
O complexo repertório da linguagem dos sinos é parte integrante da cultura de boa parte das cidades históricas de Minas Gerais, mesmo nos dias de hoje, constituindo uma forma de expressão própria, através da qual se comunica uma série extensa e variada de informações à comunidade.
Esses códigos sonoros estabeleceram-se no século XVIII, na Vila de São João Del-Rei e demais cidades da região.