O Inventário Nacional de Referências Culturais da Comunidade do Assentamento São Francisco oriunda do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais teve início em 2004 e foi concluído em 2006.
A realização deste INRC fez parte da estratégia de ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) diante das transformações ocorridas no modo de vida da população que habitava a área transformada no Parque Grande Sertão Veredas, para um novo território no seu entorno, denominado Assentamento São Francisco.
O objetivo principal foi o de realizar um levantamento das referências culturais consideradas fundamentais para esse grupo social, com a finalidade de avaliar o impacto que as mudanças causaram na dinâmica cultural das comunidades. Estas, que antes eram nomeadas de acordo com os agrupamentos familiares, foram remanejadas para o assentamento numa área que abriga em média 90 famílias e abrange as localidades São Francisco e Gentio, nomes das antigas fazendas ali existentes.
Após a primeira etapa do inventário, que inventariou 51 bens culturais entre celebrações, edificações, formas de expressão, lugares e ofícios,
a pesquisa centrou-se na identificação e estudo da musicalidade tradicional dessas famílias, como forma de expressão, visando contribuir com a valorização e preservação das suas referências culturais. A coleta de dados pela equipe de pesquisadores desenvolveu-se com foco na relação das celebrações comunitárias, no seu aspecto “musicalidade”, bem como nos acontecimentos festivos coletivos em localidades próximas, consideradas referências de celebrações para a população estudada.
Entre as celebrações, merecem destaque: a Folia de Reis; a Festa de São João de Bela Lorena; a Festa de São João de Cajueiro; as Festas de Casamento; a Festa do Divino de Formoso; Festa de Santo Antônio de Serra das Araras. Entre os ofícios se encontram conhecimentos relacionados à atividade econômica da população, tais como a produção de alimentos e a produção de peças artesanais, como aqueles relativos aos usos diversos da palmeira de Buriti. Entre as formas de expressão foram levantados Cantorios de Devoção, tais como os de Folia de Reis, de Folia do Divino, Cântico de Louvor, as Inselenças (cantos para “encaminhamento das almas”, por ocasião dos sepultamentos); o Cântico da Paixão e as Rezas. Entre as brincadeiras de folia, temos a Curraleira, a Guaiana, o Lundu, Cantos de Trabalho, entre outros.