O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto nos temas, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O INRC da Festa do Rosário e Congadas em Goiás inventariou três festas nos municípios de Catalão, Goiânia e Niquelândia. A congada é descrita nesse inventário como uma festa do catolicismo negro, que se constitui no bojo das relações produzidas entre africanos e europeus a partir da escravização destes povos no âmbito do Império Português. Foram identificados os seguintes bens culturais: Terno de Catupé, Terno de Congo, Terno de Moçambique, Terno de Vilão e Congada de Santa Efigênia.