O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão. Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto no tema, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
Por iniciativa da Superintendência do Iphan na Bahia, em 2007, iniciou-se o trabalho de pesquisa focado na dimensão imaterial do Patrimônio Cultural do município, que é tão rica quanto a sua dimensão material, já reconhecida pelo tombamento. Localizada na Chapada Diamantina/BA, o núcleo histórico da cidade é tombado pelo Iphan. O Inventário Nacional das Referências Culturais de Mucugê identificou um conjunto significativo de bens culturais, levantados ao longo dos trabalhos de campo, entre vigentes ou mantidos apenas na memória das comunidades. As localidades pesquisadas são: Caraíbas, Guiné de Cima e Mucugê.