O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto no tema, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
A pesquisa feita no âmbito deste INRC cobriu a totalidade das Feiras Permanentes do Distrito Federal, buscando reconstituir a memória da origem e das transformações ocorridas em cada uma delas. No âmbito do inventário, foram realizadas entrevistas com feirantes, transeuntes, clientes, administradores e presidentes de associações, que deixaram depoimentos sobre a história, a dinâmica e o funcionamento das feiras. Foram também produzidos materiais diversos, como vídeos, gravações e um acervo fotográfico das feiras pesquisadas. Constituindo-se num fenômeno muito antigo e difundido, as feiras são espaços públicos onde pessoas se concentram para comprar, vender e trocar mercadorias. No DF, suas origens remontam à época da construção de Brasília, quando diversos trabalhadores foram colocados em acampamentos provisórios ou realocados nas recém-surgidas cidades-satélites. As feiras foram se instaurando para suprir as carências das famílias oferecendo, incialmente, produtos hortifrutigranjeiros e alguma oferta de roupas. Sua importância hoje, no entanto, ultrapassa em muito esse caráter comercial quando pensamos as feiras como expressões da vida cotidiana, tanto arraigadas nos costumes tradicionais quanto impelidas pelos novos hábitos urbanos. No Distrito Federal, as feiras funcionam como um aglutinador, um ponto de referência para os visitantes e para todos os habitantes das muitas cidades que formam Brasília.