O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto nos temas, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O INRC dos Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais do Pernambuco foi realizado nas localidades de Igarassu, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes, Ipojuca, Palmares e Trindade. Este inventário apresenta saberes, práticas e técnicas relativos à “arte de botar gente no mundo” como parte dos conhecimentos coletivos referenciais para a construção de identidades dos grupos sociais envolvidos. Esses saberes, que são transmitidos entre gerações, foram identificados por meio de entrevistadas com 159 parteiras, dentre elas 24 “parteiras hospitalares” e 135 “parteiras da tradição”. Além das histórias de vida das parteiras, o INRC discute as dinâmicas das práticas do partejar, suas transformações ao longo do tempo, o papel das associações, as políticas de saúde voltadas ao tema, as posições do poder público local junto às parteiras tradicionais, entre outros.