O inventário do Frevo se insere no contexto da solicitação de reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial, através do Registro, conforme prevê o Decreto 3.551/2000. Iniciada e finalizada em 2006 – pois havia a expectativa de que se pudesse Registrar o bem na data em que completaria seu centenário, em fevereiro de 2007 -, a pesquisa, realizada pela Superintendência do Iphan no Estado, contou com a parceria da Prefeitura Municipal do Recife, através da Casa do Carnaval, e forneceu os subsídios para a elaboração do dossiê de candidatura e para a documentação bibliográfica e audiovisual do Frevo.
A área inventariada abrange uma região delimitada pelos municípios do Recife e de Olinda, onde ocorrem os principais eventos relacionados ao Frevo. Nessas localidades, especialmente no Recife, onde se originou essa expressão cultural, encontram-se as principais agremiações, orquestras. Foi da cidade também que saíram os maiores intérpretes e compositores desse estilo musical.
Pela definição do Tesauro do Centro Nacional do folclore e Cultura Popular o frevo é uma “atividade musical de caráter festivo, lúdico e coreográfico sendo formada por composições de andamento vivo e ritmo sincopado, em métrica binária ou quaternária. É executada por conjuntos instrumentais em cortejos durante o carnaval em alguns estados do Nordeste”.
Foram destacados três tipos de modalidade nos quais se subdivide o frevo: frevo-de-rua, frevo-canção e frevo-de-bloco. O frevo-de-rua, por sua vez, subdivide-se em outras modalidades, com características particulares, a saber: frevo-coqueiro, marcado pela presença de notas agudas; o frevo-ventania, caracterizado por seqüências ininterruptas de semicolcheias tocadas pelos saxofones, assemelhando-se ao barulho da ventania e o frevo-de-abafo que ocorre quando do encontro de duas agremiações durante o carnaval, onde cada qual busca abafar a outra com um som muito alto, sem esmero com a afinação. O frevo-canção é uma derivação do frevo-de-rua com letra cantada e poucas diferenças musicais. É próprio dos blocos carnavalescos mistos. O frevo-de-bloco é o frevo mais lírico, com instrumentos melodias e dança mais suaves, e um maior destaque para a participação feminina.
Fato importante a se destacar neste processo foi a abordagem do Frevo como uma forma de expressão dinâmica e processual, abarcando mais do que o registro da sua história e as suas formas tradicionais, tentando perceber suas releituras atuais na música, na dança, na expressão visual e escrita e as múltiplas percepções que se construíram a partir dessas apropriações.
O Frevo foi Registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em fevereiro de 2007 e atualmente está em curso a construção do seu Plano de Salvaguarda.