O Inventário Nacional de Referências Culturais da Feira de Caruaru, realizado pela Superintendência Estadual do Iphan em parceria com a Prefeitura Municipal de Caruaru, foi iniciado no ano de 2004, sendo finalizado no ano de 2006. Do mesmo modo como ocorreu com outros bem culturais de natureza imaterial inventariados, a feira tornou-se Patrimônio Cultural do Brasil, através do Registro, em 2006.
A Feira de Caruaru é um complexo de feiras que se realizam no município de Caruaru, em Pernambuco, aos sábados, no Parque Dezoito de Maio. A feira surgiu há mais de duzentos anos e sua origem se confunde com a da própria cidade de Caruaru – o local era ponto de parada de viajantes, vaqueiros e mascates. Hoje ela é parte essencial da economia e da cultura do município e do Estado de Pernambuco como um todo.
A feira abriga, no seu conjunto, a Feira Livre, a Feira dos Importados (conhecida como Feira do Paraguai), a Feira do Artesanato, a Feira da Sulanca, a Feira do Gado (localizada em lugar distinto das demais, no bairro do Cajá, ao lado do aeroporto), entre outras.
A Feira Livre é composta das seguintes feiras setoriais: feira das frutas e verduras; feira de raízes e ervas medicinais; feira do troca-troca; feira de flores e plantas ornamentais; feira do couro (onde se vendem calçados, chapéus, bolsas e outros objetos feitos de couro); feira permanente de confecções populares, conhecida como “feira de roupas”; feira dos bolos; feira de artigos de cama; feira das ferragens; feira do fumo. Todas essas feiras não esgotam o universo dos produtos vendidos na Feira de Caruaru.
Entre os bens inventariados no estudo e que compõem a dinâmica da feira, merece destaque a comunidade de artesãos do Alto do Moura, também localizada no município de Caruaru. Trata-se de um grande núcleo cultural voltado para a produção de artesanato - tendo sido considerado, pela UNESCO, o maior centro de arte figurativa das Américas – e escoa praticamente toda a sua produção para a feira. Devido à especificidade dessa relação, o recorte metodológico efetuado pelo INRC estabeleceu como sítio a própria feira, subdividindo-o em duas localidades: Perímetro Urbano e Alto do Moura.
Ao todo, foram inventariados 76 bens culturais referenciais, entre os quais se destacam as principais edificações relacionadas à feira, formas de expressão, lugares e ofícios.
Este inventário e o posterior Registro fazem parte do reconhecimento da importância da dinâmica e da existência da Feira de Caruaru para a preservação e salvaguarda das referências culturais e dos modos de ser e viver dos pernambucanos, nordestinos e todos os brasileiros que nela se reconhecem e dela fazem parte.
No âmbito do INRC da Feira de Caruaru foram produzidos o dossiê e um vídeo-documentário, ambos integrantes da documentação realizada para subsidiar o reconhecimento do bem cultural como patrimônio imaterial.