A presente pesquisa é resultante de um processo de analises do campo de sistemas culinários e foi dividido em 3 fases.
Primeiramente, foi inventariado o Acarajé em Salvador, entre 9/2001 a 3/2003, cujo objetivo era inventariar as técnicas de feitura do acarajé e registrar o universo simbólico que permeia esse bem.
No período de 11/2003 a 03/2004, iniciou-se uma nova reflexão abordando também os lugares, definidos como espaços onde se realizam práticas culturais, que se caracterizam pela interação, sociabilidade, afetividade e pelo consumo de bens cujos conteúdos simbólicos satisfazem tanto o paladar quanto o imaginário coletivo. Deste modo, desenvolveu-se o inventário Tabuleiro da Baiana em Salvador, ampliando a pesquisa considerando o tabuleiro da baiana enquanto lugar onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas, assim como as técnicas de feitura dos bens associados ao tabuleiro, tais como, abará, acarajé, bolinho-de-estudante, cocadas, passarinhas, panos, imagens, plantas, insígnias, etc e os bens relacionados a esses itens, que constituem a base da alimentação popular baiana – feijão, mandioca, azeite-de-dendê, coco.
Em novembro de 2004 a 3/2005, a partir de conversas e solicitações do DPI, iniciou-se uma outra etapa do processo, que se concentrou nos indivíduos detentores do modo de fazer, dando ênfase ao ofício. Portanto, o inventário do Ofício das baianas de acarajé em Salvador aborda a relevância de tradições afro-brasileiras no cotidiano e identidade nacional, em especial o acarajé como importante símbolo de uma certa identidade étnica, regional e religiosa que integra a cultura brasileira - um bem cuja densidade simbólica está relacionada ao Ofício da Baiana de Acarajé.
O Inventário do Ofício das Baianas de Acarajé foi realizado, em algumas etapas, simultaneamente com os projetos Roupas de Baiana e Pano-da-costa, no âmbito do Programa de Apoio a Comunidades Artesanais do CNFCP.