O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão. Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto no tema, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O carimbó, manifestação que compreende um complexo lúdico de práticas, sociabilidades, esteticidades e performances, emblemática e iconograficamente associado à cultura do Estado do Pará, pode ser observado e verificado tanto por meio dos discursos e vivências de muitos sujeitos e coletividades envolvidos com esta respectiva manifestação (no caso deste levantamento preliminar, através dos atores com os quais a equipe de pesquisa teve contato), quanto através das retóricas presentes nas várias produções bibliográficas sobre o tema. Nestas, assim como em muitos daqueles primeiros, têm-se apresentado o carimbó enquanto uma invenção dos negros escravos que habitavam esta parte da Amazônia, no século XVII.
De acordo com tais produções, afirma-se que houve uma junção do ritmo/dança com elementos da cultura indígena e européia, o que teria dado origem a uma manifestação singular, representado hoje pelos grupos que se espalham como miríades por vários municípios do Estado do Pará. No caso da Mesorregião Metropolitana de Belém foram inventariados os municípios de Ananindeua, Barcarena, Belém, Benevides, Bujarú, Castanhal, Marituba, Santa Bárbara, Santa Izabel do Pará, Santo Antônio do Tauá e Inhangapi.