O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão. Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto no tema, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
Originalmente, o carimbó era realizado em um período específico do ano, no ciclo natalino, e marcava a passagem do ano, dentro da celebração de São Benedito. Como extensão do “tempo de carimbó”, ou como sinalização do ciclo carnavalesco, também era tocado em janeiro na época do plantio. Em alguns municípios, o carimbó era dançado para festejar outros santos dentro do ciclo do natal, como Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião, no final do mês de janeiro. Em muitas localidades, o carimbó continua fazendo parte dos rituais religiosos em louvação de São Benedito e outros santos.
Durante os demais dias do ano, o carimbó, como elemento estético e ritual de socialização, era tocado em festas menores, como aniversários, em bares, em casa e como confraternização de final de semana. O entrudo deixou de existir, mas o hábito de tocar carimbó com os amigos permaneceu. Como parte do processo para registro do bem cultural Carimbó, foi dado início ao levantamento preliminar da microrregião Cametá, com inventário nos municípios de Abaetetuba, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajurú, Mocajuba e Oeiras do Pará.