O inventário focou-se nos processos de mudança e de circulação das referências culturais de migrantes maranhenses que levam para o Rio de Janeiro os festejos do Divino Espírito Santo, aos moldes da tradição Maranhense, criando novas dinâmicas e processos sociais a fim de manter e perpetuar sua devoção e raízes culturais.
A Festa do Divino Espírito Santo é um exemplar típico do caldeirão cultural do Maranhão, onde os ritmos, os saberes e os fazeres dos seus diversos grupos formadores se fundiram, originando estilos de vida particulares. Neste Estado a pomba branca, que alude a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é louvada e festejada sob os cânticos e toques de caixa na ambiência dos terreiros de tambor de mina, religiosidade afro-maranhense fortalecida no culto e fé aos voduns, orixás, caboclos e encantados bem como aos santos católicos. Quando os devotos migram levam consigo o compromisso e a preocupação em perpetuar suas raízes e a tradição das suas referencias culturais.
Abarcada no âmbito do Projeto Celebrações e Saberes da Cultura Popular, a proposta do inventário das Festas do Divino maranhense no Rio de Janeiro foi realizar um inventário atento aos processos de mudança, a apreensão da criatividade e dinâmica de circulação das referências culturais; considerando não apenas as características sociais da festa, mas também os processos sociais em que as mesmas se dão fora do Maranhão.
Foram inventariadas as festas da Irmandade Maranhense da Ilha do Governador, no bairro de Costa Barros, no Terreiro Abassá de Mina Jeje Nagô; e nos municípios de Nova Iguaçu e Seropédica, respectivamente os terreiros Ilê de Iansã-Obaluaiê, e o Cazuá de Mironga.