O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto nos temas, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O território compreendido pelo INRC Comunidade Mbyá-Guarani em São Miguel Arcanjo contempla os seguintes municípios do estado do Rio Grande do Sul: São Miguel das Missões, Bossoroca, Caibaté, São Luis Gonzaga, Salto do Jacuí, Porto Alegre e Palmares do Sul. O inventário identificou um conjunto de referências culturais relativas aos Guarani-Mbyá, tendo como referência os grupos da região, realizando também, ao longo do processo de pesquisa, ações de salvaguarda. Um dos aspectos cruciais do inventário foi ressaltar a dimensão da identidade guarani relacionada à itinerância, a posição de caminante dos Mbyá como elemento articulador do modo de ser guarani, assim como o acesso às matas e o direito à dimensão do mistério. Em decorrência desse inventário, foi solicitado o Registro da Tava (o complexo das ruínas da antiga igreja da redução de São Miguel Arcanjo) como lugar de referência para o povo Guarani. Em dezembro de 2014 ela se tornou Patrimônio Cultural do Brasil.