O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto nos temas, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O Tooro Nagashi é uma celebração que faz parte da tradição existente em várias regiões do Japão de reverênciar os antepassados. O INRC tem como foco a realização do ritual que acontece no Município de Registro, localizado no estado de São Paulo, no dia 02 de novembro de cada ano. No Brasil, a celebração assume dinâmicas específicas relacionadas aos contextos locais e ao processo de imigração ocorrido na região. Além de representativo da contribuição da imigração japonesa para a constituição da sociedade brasileira, o Tooro Nagashi é considerado uma referência cultural importante para as comunidades da região, onde muitas colônias de imigrantes foram criadas para suprir demandas de trabalho no campo, nos laranjais, cafezais e algodoais.