Candeal é uma localidade rural do município de Cônego Marinho, ao norte de Minas Gerais e tradicional pólo de produção de louça de barro, de uso doméstico: potes, vasos, pratos, travessas, tigelas e outras peças, modeladas a mão, pintadas com tauá e queimadas em forno a lenha. Os desenhos representam um vasto repertório de motivos florais, de volutas e arabescos que atuam como identificadores da procedência das peças.
O trabalho artesanal no Candeal é feito por mulheres, auxiliadas por seus maridos, filhos e irmãos, especialmente em etapas do processo consideradas mais árduas, tais como a coleta de barro e o transporte de lenha para a queima das peças. No passado, parte da comercialização, aquela que se processava fora da comunidade, tinha no homem o principal agente. Atualmente, as próprias artesãs vêm assumindo mais e mais o processo integral de produção e comercialização dos objetos.
A localidade foi visitada no final da década de 1930 por Hermann Cruse, no que pode ser considerado o primeiro levantamento de patrimônio imaterial feito pelo órgão, em 1939/1940.
Em 1959/1960, a localidade foi revisitada, desta vez por Joaquim Ribeiro, pesquisador que empreendeu a primeira pesquisa feita pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, criada em 1958, atual Centro Nacional de Cultura Popular. A viagem resultou na publicação de Folclore de Januária, pois àquela época o Candeal pertencia a esse município.
Quando este inventário foi aberto, em 2001, no Livro dos Ofícios e Modos de Fazer, as pesquisas já haviam sido feitas no âmbito do Projeto de Apoio a Comunidades Artesanais (PACA), realizado pelo CNFCP, em parceria com o Programa Artesanato Solidário. Trata-se de um inventário inicial, cujo objetivo principal foi o de funcionar como teste para a aplicação da metodologia do INRC, verificando o preenchimento dos formulários e possibilitando a familiarização da equipe de pesquisadores do CNFCP com as categorias orientadoras do inventário de patrimônio imaterial.