O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto no tema, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
O levantamento Preliminar do Inventário Nacional de Referências Culturais da Ilha do Marajó, INRC-Marajó, na Microrregião de Portel, teve por objetivo o mapeamento das manifestações culturais dos quatro municípios que compõem essa área da Mesorregião do Marajó: Portel, Bagre, Melgaço e Gurupá. A pesquisa, levada a cabo pela Superintendência do IPHAN no Pará, se deu em duas fases, a partir do ano de 2004, e abrangeu as Microrregiões do Arari e do Furo de Breves. Desse esforço inicial resultou o Levantamento Preliminar que estendeu a pesquisa a outros doze municípios na grande Ilha do Marajó: Afuá, Anajás, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure. As informações levantadas contam com uma listagem de cerca de 200 bens e mais de 200 contatos identificados. Todo o processo de pesquisa contou com diversas idas a campo, assim como com um grande esforço em integrar os agentes culturais locais em todo processo de captação dos dados levantados.