O Inventário Nacional de Referências Culturais - INRC é um instrumento de produção de conhecimento e documentação utilizados pelo Iphan para a identificação de bens culturais de natureza imaterial. Através dele são identificadas as referências culturais, ou seja, aquelas práticas e bens culturais considerados os mais importantes para uma comunidade porque articulam sentidos de pertencimento e de identificação, dizem respeito à memória e à identidade das pessoas que neles se reconhecem. As referências culturais são identificadas em cinco categorias: Celebrações, Ofícios e Modos de Fazer, Lugares, Edificações e Formas de Expressão.
Realizado em três etapas com graus diferentes de aprofundamento (Levantamento Preliminar, Identificação e Documentação), o INRC também contribui para a mobilização dos grupos envolvidos, além de gerar subsídios para a gestão de políticas públicas. O inventário pode ser desenvolvido com o objetivo de identificar as referências culturais existentes em um determinado território – um município ou região, por exemplo; ou para conhecer um tema ou uma referência cultural específica – como uma festa, um lugar ou um conjunto de saberes. Nesse caso, a pesquisa se concentra no tema eleito, podendo ser identificadas também outras referências culturais a ele associadas. Quando realizado com todas as etapas, um INRC apresenta duas listas de bens culturais: aquela dos bens apenas mapeados (inventariados) e aquela dos bens que passaram por pesquisa aprofundada (identificados). Os inventários podem ser muito diferentes entre si, tanto nos temas, quanto na abrangência e na quantidade de bens pesquisados.
A região denominada S.A.A.R.A (Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega) é uma área de comércio popular localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, compreedendo dezenas de ruas e mais de mil estabelecimentos de vários ramos e atividades. Constituída a partir da chegada de comerciantes de origem síria, libanesa, judaica e da Europa em geral - como portugueses, italianos, espanhóis e gregos -, essa região se caracteriza pela presença do comércio atacadista, originado a partir da atividade de caixeiros-viajantes que ali se abasteciam de produtos que vendiam em outros municípios e regiões. Atualmente o local reúne comerciantes oriundos de fluxos migratórios contemporâneos, como os chineses e coreanos.