O Acervo Arquitetônico e Urbanístico Art Déco de Goiânia, localizado no estado de Goiás (GO), corresponde aos componentes edificados em estilo e elementos decorativos designados art déco, e à estrutura viária remanescente do Plano Urbano do arquiteto Atílio Corrêa Lima, acrescida de trecho pré-existente da primitiva vila e cidade de Campinas, atual bairro de mesmo nome, sendo constituído pelos seguintes bens, em ordem alfabética: Chefatura de Polícia; Coreto; Delegacia Fiscal; Departamento Estadual de Informação; Escola Técnica Federal e Pórtico; Estação Ferroviária; Fontes Luminosas; Fórum e Tribunal de Justiça; Grande Hotel; Juízo Eleitoral; Lyceu de Goiânia; Mureta e Trampolim do Lago das Rosas; Obeliscos; Palace Hotel; Palácio das Esmeraldas; Residência Pedro Ludovico; Secretaria Geral; Subprefeitura e Fórum de Campinas; Teatro Goiânia; Torre do Relógio; e Traçado Viário dos Núcleos Pioneiros (bairros Centro e Campinas). É um bem imóvel, do tipo Conjunto Urbano, com estado de conservação regular e estado de preservação pouco alterado.
O tombamento abarca 20 edifícios e equipamentos urbanos em estilo art déco, construídos para representar o poder que viria a ser exercido por Goiânia, cidade planejada para ser a nova capital do estado de Goiás. Durante sua construção, na década de 1930, esse estilo se difundia pelo Brasil, de modo a simbolizar a modernidade em substituição aos edifícios tradicionais. O termo art déco tipifica um conjunto de edifícios cuja característica principal é a presença de elementos decorativos geométricos e formas aerodinâmicas.
A construção de Goiânia como capital nova no interior do país é representativa do processo de urbanização do Brasil na primeira metade do século XX. Nesse período, novas cidades foram construídas a partir de políticas sanitaristas. A cidade de Goiás, antiga capital, era vista como símbolo de estagnação econômica, comercial e populacional devido às condições desfavoráveis de sua topografia, geologia e clima. Por isso, de modo a estimular tanto o desenvolvimento quanto a expansão demográfica e urbana, Goiânia foi construída com apoio político federal.
Além dos edifícios e equipamentos urbanos, o traçado urbano do Setor Central e de parte do Setor Campinas também é tombado, assim como a conexão entre esses dois núcleos. A parte inicial do traçado viário de Goiânia, correspondente ao atual bairro Setor Central, foi projetada por Atílio Corrêa Lima para a fundação da cidade. Já o núcleo pioneiro de Campinas, antiga cidade e atual bairro Setor Campinas, é pré-existente à construção de Goiânia e serviu como base para recepção da comissão designada a escolher o sítio da nova capital.
Como a cidade de Campinas foi fundada em 1877 e Goiânia em 1933, há nelas diferentes intenções de modernidade e escala. Isso porque, além de Goiânia ter sido criada tornar-se capital do estado, 56 anos separam a formação de cada uma. Com a velocidade que o século XX apresentava de buscar o “novo”, o Plano Urbano de Goiânia já almejava a introdução de novos valores que buscavam superar aqueles presentes em Campinas.
A motivação para o tombamento do Acervo em âmbito federal estava vinculada a valores históricos, paisagísticos e artísticos-arquitetônicos, o que ocasionou a homologação do tombamento através da Portaria nº 507, de 18 de novembro de 2003, e sua inscrição, no dia 3 de fevereiro de 2005, em três Livros do Tombo: Livro do Tombo Histórico (n° de inscrição 575), Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico (n° de inscrição 134), e Livro do Tombo de Belas Artes (n° de inscrição 656).