Conjunto arquitetônico que forma um terreiro de candomblé da Nação Angola denominado Terreiro Tumba Junsara, localizado no Município de Salvador, Estado da Bahia, Brasil
A estrutura do terreiro é composta de assentamentos, moradias, Barracão, mata e uma fonte de água. A moradia principal e mais antiga é a de Mamento (líderança religiosa), bem no meio do estreito terreno. Além dela, tem as moradias dos Tatas.
A primeira coisa se vê quando se passa pelo portão do terreiro é a Fonte Dandalunda, a fonte está protegida por um gradil e é cercada pelos assentamentos: de Nzila localizado logo na entrada; de Nzazi também na entrada ao lado direito de quem entra; da casa de Caboclo à esquerda de quem entra; e o assentamento de Exú, colado à casa de Caboclo. Após essa entrada, encontra-se uma edificação de volume único e térrea, que comporta o salão de cerimônia vizinho à casa de Mameto. A cozinha da residência serve à moradora, mas também é a cozinha sagrada do terreiro. Adiante, se encontra o quarto do segredo, Lemba Oxalá, casa de Izila que circunda o assentamento de Tempo, um pé de acerola. O assentamento de Tempo é uma área que se configura como um pequeno pátio dando acesso também à casa de Nkosi e ao Barracão. O barracão é formado por edificação de duas águas, com uma área interna livre e meia parede que formam corredores laterais.
Fonte: Parecer Técnico do Conselheiro Luis Phelipe de Carvalho Castro Andrés (0800975). SEI 01502.002351/2013-90.
A localização do terreiro é significante, pois se trata de região de Salvador que concentra vários terreiros, entre eles, alguns já tombados pelo IPHAN, como é o caso de Oxumaré, Gantois, Alaketo e Casa Branca, todos distribuídos nos bairros da Federação ou de Engenho Velho de Brotas que por sua vez são divididos pela Avenida Vasco da Gama, avenida principal e de referência para a implantação dos primeiros terreiros de candomblé da cidade. Originalmente ocupada pela mata atlântica, esta região possuía fontes naturais e era cortada pelo Rio Lucaia em cujas margens se instalaram as primeiras casas de candomblé da cidade, e durante muito tempo essa faixa foi uma área periférica da cidade de Salvador, mas a
partir do crescimento urbano, passou a fazer parte de área dinâmica da cidade. Estudos apontam que a ocupação sistemática teria começado com a implantação de redutos negros, formações quilombolas.
O Terreiro Tumba Juntara passou por mudanças de endereços motivadas por problemas fundiários. A história oral relata, que 1919 foi o ano de fundação da casa em Acupe, município de Santo Amaro, na Bahia. Portanto irá completar um século de existência em 2019. Logo após a fundação, o terreiro teve que ser transferido para Pitanga, também em Santo Amaro e depois para Beiru, em Salvador. Em 1920 mudou-se para a ladeira do Pepino nº 70, próximo ao Engenho Velho de Brotas e em 1938, passa a ocupar o endereço atual, Ladeira da Vila América, 2ª travessa, nº 30, Alto do Corrupio, Av. Vasco da Gama, Vila Colombina. Portanto está há exatos 80 anos neste endereço atual.
Tumba Junsara reproduz em seu território todas as estruturas litúrgicas e mundanas necessárias para a tradição, onde se pode visualizar de forma bem definida o espaço mato e o espaço edificado constituintes da área sagrada.
O Candomblé de Nação Angola, caracteriza-se por preservar elementos de fundamentação bantu como o culto ao Nkisi, e ao mukulu (ancestral), utilizando ritualmente as línguas Kimbundu, Kikongo e Umbundu, e pela estruturação do culto aos ancestrais indígenas brasileiros, chamados de Caboclos.
Fonte: Parecer Técnico do Conselheiro Luis Phelipe de Carvalho Castro Andrés (0800975). SEI 01502.002351/2013-90.